Ela foi eleita quase um ano após Naçoitan ser preso, acusado de feminicídio contra a ex-companheira

Ao final da apuração das urnas nas eleições deste domingo (6), Maysa Cunha (Avante), atual vice-prefeita de Iporá, foi eleita prefeita com 51,60% dos votos válidos, derrotando o candidato apoiado pelo prefeito afastado Naçoitan Leite. Naçoitan havia lançado como sucessor o ex-prefeito Danilo Gleic (PL), que terminou em terceiro lugar, com 18,93% dos votos. A derrota de Gleic ocorre quase um ano após Naçoitan ter sido acusado de feminicídio, ao atirar 15 vezes contra a casa de sua ex-companheira.
Maysa Cunha conduziu sua campanha com forte oposição ao grupo político de Naçoitan, prometendo romper com a sucessão de poder e trazer uma nova perspectiva para a administração de Iporá. Ela se destacou como uma líder que poderia reverter o desgaste do atual governo, marcado por escândalos e polêmicas.
A campanha de Danilo Gleic, que atuou na administração de Naçoitan, foi prejudicada não só pelo histórico do prefeito afastado, mas também pelos seus próprios problemas. Na última semana antes das eleições, o Ministério Público Eleitoral solicitou a impugnação de sua candidatura. Gleic concorreu sub judice e ainda corre o risco de ter seus votos anulados.
A derrota de Gleic marca o fim de um ciclo de 12 anos de domínio político do grupo de Naçoitan Leite em Iporá. Durante esse período, Leite e Gleic governaram juntos, sendo Gleic um aliado próximo do prefeito afastado. Ele ainda ficou atrás de Dr. Mac (MDB), que obteve 20,06% dos votos e ficou em segundo lugar.
Após o afastamento de Naçoitan, que foi preso devido ao processo de feminicídio, Maysa Cunha assumiu a Prefeitura por cerca de 45 dias. Durante esse tempo, recebeu o apoio do presidente da Assembleia Legislativa de Goiás (Alego), Bruno Peixoto (UB), que a convidou a ingressar no Avante e concorrer à Prefeitura. O Avante faz parte do bloco político liderado por Peixoto.
Durante o período em que esteve à frente da Prefeitura, Maysa enfrentou dois processos de impeachment contra Naçoitan e uma auditoria sobre a gestão do prefeito afastado, mas esses processos não avançaram. Ela também reclamou de sofrer violência de gênero na política, destacando que, mesmo sendo eleita vice-prefeita, nunca foi consultada por Naçoitan para decisões importantes.

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