Simone Spoladore retorna a Vestido de Noiva com novo papel e reflexões sobre liberdade

Atriz vive Lúcia em montagem dirigida por Helena Ignez no Teatro Anchieta, em São Paulo

Foto: Ale Catan/ Divulgação

Dezoito anos após protagonizar o filme Vestido de Noiva (2006), de Nelson Rodrigues, Simone Spoladore (45) volta à obra clássica com um novo desafio: interpretar Lúcia, a irmã de Alaíde, papel que viveu no longa. A nova versão, em cartaz no Teatro Anchieta, no SESC Consolação, São Paulo, é dirigida por Helena Ignez (82) e proporciona à atriz uma nova perspectiva sobre o texto rodriguiano.

É uma experiência muito interessante porque, agora, posso ser mais livre em cena, mais anárquica“, explica Simone, que encara o desafio de transitar entre as complexidades das duas irmãs. Durante o processo criativo, ela chegou a rever o filme de 2006, mas decidiu explorar uma abordagem inédita para Lúcia, destacando o foco atual na disputa de poder e a feminilização da montagem.

A evolução do texto e das personagens

Simone destacou que a interpretação de Lúcia em 2024 apresenta nuances mais sombrias e diretas do que sua Alaíde em 2006, reflexo de sua maturidade como atriz e das mudanças de formato entre cinema e teatro. “Parece que de 20 anos pra cá o acesso a esses sentimentos mais sórdidos fica mais fácil. Na Alaíde do cinema havia deboche; aqui, o acesso é mais direto“, avalia.

Outro elemento que transformou a dinâmica da obra foi a redução de personagens masculinos na peça, o que favoreceu uma maior centralidade feminina. Para Simone, isso torna a montagem ainda mais relevante. “Mais do que a temática, o que torna a peça atual é o jeito que Nelson trabalha a linguagem. A poesia dele é universal, atravessa o tempo“, afirma.

A liberdade como tema central

O espírito libertário da obra continua marcante, especialmente na primeira cena do bordel, que Simone descreve como “poesia que não envelhece”. Ela reflete sobre a busca por liberdade, um desejo intrínseco do ser humano e central na narrativa de Nelson Rodrigues. “Essa necessidade de transcender, de ter uma vida livre, é algo que permanece vivo e necessário“, conclui.

A peça está em cartaz no SESC Consolação, reafirmando a atemporalidade de Nelson Rodrigues e mostrando como suas obras continuam a dialogar com questões contemporâneas.

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