Atriz e autora estreia espetáculo no Rio de Janeiro e reflete sobre a conexão entre escrita, atuação e os desafios da carreira artística

Isabel Guéron, atriz e escritora com mais de 30 anos de trajetória, transforma seu livro “Entressafra” em um solo teatral homônimo que estreia nesta quinta-feira, 9, no Rio de Janeiro. O projeto marca sua estreia como dramaturga e intérprete solo, explorando temas cotidianos com profundidade e humor.
Do papel ao palco
Lançado em 2021, “Entressafra” reúne contos e crônicas que Isabel adaptou para o teatro em um processo colaborativo e experimental. “Imprimi e espalhei as folhas no chão, trocando de lugar e dizendo os textos em voz alta. Já pensei que poderia fazer uma peça”, relembra. Com apoio da ONG Finoca Almeida Cunha (Finac) e direção de Cristina Moura, a atriz transformou suas palavras em cenas, apresentando inicialmente em escolas, universidades e grupos de teatro da terceira idade.
Isabel destaca a riqueza do processo: “Foi uma troca muito intensa enquanto adaptava o texto para o palco.”
Escritora e atriz: conexões e desafios
Para Isabel, revisitar suas reflexões por meio da atuação foi desafiador e emocionante. “Escrever é solitário e fluido, mas na peça eu revivi tudo. Chorei e me diverti nos ensaios”, conta. Sobre atuar sozinha, ela admite o desafio, mas celebra a cumplicidade com o público: “No solo, a sensação é que o público é sua contracena.”
Humor e identificação como pilares
A peça mistura questões profundas e os pequenos absurdos do cotidiano, como uma ida ao oftalmologista ou uma viagem de metrô. “A vida é cheia de incertezas. Aposto no humor e na identificação com o público”, explica a artista.
Resiliência e inspiração
Com décadas de experiência, Isabel encara os desafios do mercado artístico com criatividade e resiliência. “Atuar exige formação e conhecimento, mas também demanda alternativas para sobreviver. Já fiz assistência de direção, preparei atores e narrei audiolivros. Quando não chamam, eu mesma faço”, reflete.
Para ela, a maturidade traz novas perspectivas e inspirações: “A vida é matéria-prima importante. Surpresas, perdas, tudo cola na gente.” Isabel encara o espetáculo solo como um símbolo de sua evolução artística e celebra o ofício que a mantém realizada.
Deixe um comentário